Série – #Zico60Anos – Reinando nos Anos Dourados

Deixe um comentário

01/03/2013 por tuliorodrigues

Depois do Tri Carioca, entre outras conquistas, o Flamengo marcou definitivamente seu nome no cenário nacional e internacional. Foram muitos títulos seguidos que fizeram o time ter muitas outras ambições e metas nos anos seguintes. Era necessário conquistar um Brasileiro, disputar bem uma Libertadores… Era necessário colocar o Flamengo no topo do Mundo. 
O elenco e a diretoria sabiam que não bastava ser considerado o melhor time, era preciso ser o melhor, vencer os melhores campeonatos. E isso aconteceu com classe, raça e muita luta. Zico conta um pouco do que foi aquele primeiro Brasileiro… Na emoção do título, ainda no gramado, ele disse que desde sua contusão diante do Coritiba não conseguiu dormir direito. Acordava assustado, sonhando com lances, ouvindo o povo cantando e até se via correndo comemorando um gol. Foi uma semana de angústia para o Galo. Foi o título do coração, da coragem e do amor pela torcida que o fazia chorar. Esse foi o sentimento do Zico após ganhar o país definitivamente pela primeira vez. 
Depois de todos os fatos históricos narrados, qualquer um poderia dizer que não precisava mais nada para entrar na história. Mas o céu era o limite pro Flamengo de Zico… Como ficar satisfeito, sem antes ganhar o Mundo? Com vinganças, surgimento de novos ídolos, ladrilheiros, troca-troca de técnicos, superação, choradeira mineira, soco, sangue e muita luta, ainda precisava vir o mágico ano de 1981, o ano mais rubro-negro e dourado da nossa história. E, claro, Zico seguia liderando o poderoso esquadrão. 
Um dos problemas do time foi a troca de técnicos, que deixou os jogadores confusos, sem um padrão ou uma organização tática. Foi preciso chegar alguém respeitado pelos jogadores e com disciplina. Então a vontade de todos foi feita e Carpegiani assumiu o time no final de julho. Aos poucos ele foi corrigindo os problemas e colocando cada um no seu devido lugar. Assim o Flamengo tinha uma liderança em campo e outra fora. Dois maestros de técnica e classe que levaram aquele celeiro de craques ao topo do Mundo. 
E fora de campo os dois seriam influentes num dos títulos daquele ano. Zico conta que apenas uma vez na vida indicou uma mudança no time ao treinador. Era a saída de Baroninho para a entrada do experiente Lico na ponta-esquerda, que pela primeira vez seria titular. Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. É… Com exceção do saudoso Figueirero, que nos deixou tragicamente em 1984, essa seria a formação campeã do Mundo. E já começou com um belo cartão de visitas: sacode de 6 a 0 no Botafogo, a vingança que Zico e a torcida tanto queriam. Aquela derrota que Zico presenciou apenas com 19 anos merecia uma resposta… E depois de tantas oportunidades, não poderia passar em branco naquele dia. Foi o aperitivo para o que viria depois. 
Não demorou para chegar o capítulo final da conquista da América. Duas semanas depois da vingança em pleno Maracanã, veio a vingança de Montevidéu. O time não contou com Lico, que não conseguiu se recuperar da violência do Cobreloa. Leandro foi pro meio-campo e Adílio virou ponta-esquerda. Nunes jurou antes do jogo que pegaria o Mario Soto, mas curiosamente foi ele que saiu no final do jogo para entrar o Anselmo… O soco que lavou a alma da Nação. E o jogo? Zico, como sempre, resolveu na bola e na sua classe interminável. 
E menos de duas semanas depois lá estava o Mengo decidindo mais um título, porém com uma péssima notícia. Morria Coutinho, o mestre formador daquele grupo. No meio de um turbilhão de acontecimentos, os jogadores tiveram que enxugar rapidamente as lágrimas, pois no dia seguinte teria a final contra o Vasco. Com os jogadores muito abatidos, perdemos os dois primeiros jogos. Mas um título assim não poderia escapar jamais. E vencemos, com uma “ajudinha” de um certo ladrilheiro. A torcida fez a festa, e de presente o ladrilheiro ganhou o Manto do Rei. 
Uma semana depois lá estava mais uma vez o Mengo para a conquista de mais um título. Quer dizer, “mais um”, não. Mas se precisava levantar o “caneco” para colocar de vez o Flamengo de Zico na história eterna do futebol e do esporte mundial, não faltava mais nada. A maior torcida do mundo se orgulhava, em 13 de dezembro de 1981, pelo título de maior time do mundo. Os ingleses, com oito títulos nacionais e internacionais nos cinco anos anteriores ao Mundial, time base da seleção que entrou pra história do Liverpool, não viu a cor da bola. Kenny Dalglish? Deus dos Reds? Não vi, ninguém viu, não deixamos ninguém ver! 
O verdadeiro Deus naquela tarde se chamava Arthur e vestia a 10. O Galinho assustou o mundo com a bola nos pés e com seus lançamentos milagrosos. E por isso também o capitão inglês disse após o jogo que em todos os anos que jogou futebol nunca havia visto um time tão diabólico. Eles pararam no incansável Flamengo, que enfrentou até laranjas chilenas, socos de pedra e cachorros ferozes para chegar ali. Mesmo com tudo isso em meio a exaustão física e à trágica morte do mestre Coutinho, nosso amado Mengo mostrava frieza e leveza em campo. Aquele time mereceu o topo do Mundo. 
Nos dois anos seguintes, como se faltasse alguma coisa, conquistamos mais dois Brasileiros. Foram épicas conquistas, com muita raça, luta, técnica e profecias. Sim, nosso Deus profetizou (abençoando o nosso 9) o gol salvador de Nunes na campanha do Bi. Na campanha do Tri o time alternava bons e maus momentos, mas com a chegada de Carlos Alberto Torres as coisas se acertaram. Zico não estava em plenas condições físicas, Mozer machucado, Andrade e Lico fora… Mas o time jogou muito e mereceu mais uma conquista de Brasileiro. 
De 1978 a 1983, além de muitos outros torneios, ganhamos 5 Taças Guanabaras, 4 Estaduais, 3 Brasileiros, Libertadores e Mundial. E todos com a liderança, maestria e genialidade do Arthur Antunes Coimbra. Zico ainda conquistaria outros títulos pro Flamengo, mas precisava mais? Zico é o Rei dos nossos anos rubro-negramente dourados. 
——— 
Agradeço ao Tulio Rodrigues pelo convite para fazer essa homenagem ao Galo, mas também agradeço pela amizade, carinho e respeito com que sempre teve comigo, seus amigos e leitores. Além de rubro-negro pra caramba, Tulio é muito humano. Muito obrigado, amigo! Grande abraço!
Renato Croce é colunista do Site Magia Rubro-Negra e dono do Blog FlaManolos.
Sigam-nos no Twitter: @BlogSerFlamengo
Curta a nossa Fanpage no Facebook: Blog Ser Flamengo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Junte-se a 9.332 outros seguidores

Gostou? Compartilhe!

Facebook Twitter More...

JAYME FALA: COPA DO BRASIL 2013

FLAMENGO DA NAÇÃO

ACESSE FLA EM DIA

SEJA SÓCIO DO FLA

Lançamento do livro Simplesmente Zico

Curtam #Zico60Anos

Toda terça às 22 horas

Arquivos

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 9.332 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: